sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Declínio da Pregação Contemporânea

Postado por Felipe Gomes às 08:51
Reações: 





Por John F. MacArthur, Jr.

Você já percebeu como diversos comerciais de televisão não falam especificamente sobre os produtos que anunciam? Um anúncio de jeans apresenta um comovente drama a respeito da infelicidade dos adolescentes, mas não se refere ao jeans.
Um comercial de perfumes mostra uma coletânea de imagens sensuais sem qualquer referência ao produto anunciado. As propagandas de cerveja são algumas das mais criativas da televisão, mas falam muito pouco sobre a própria cerveja.
Esses comerciais são produzidos com o objetivo de entreter, criar disposição e apelar às nossas emoções, mas não para transmitir informações.
Com frequência, eles são os mais eficientes, visto serem os que fazem melhor proveito da televisão. São produtos naturais de um veículo de comunicação que promove uma visão surrealista do mundo.
A televisão mescla sutilmente a vida real com a ilusão. A verdade é irrelevante. O que realmente importa é se estamos sendo entretidos. A essência não significa nada; o estilo de vida é o que mais interessa. Nas palavras de Marshall McLuhan, o instrumento é a mensagem.
Amusing Ouselves to Death (Divertindo-nos até à morte) é um livro perceptivo mas inquietante escrito por Neil Postman, professor da Universidade de Nova Iorque. Ele
argumenta que a televisão nos tem mutilado a capacidade de pensar e reduzido nossa aptidão para a verdadeira comunicação.
Postman assegura que, ao invés de nos tornar a mais informada e erudita de todas as gerações da História, a televisão tem inundado nossas mentes com informações
irrelevantes, sem significado. Ela nos tem condicionado apenas ao entretenimento, tornando obsoletas outras formas de interação humana.
Postman ressalta que até os noticiários são uma apresentação teatral. Jornalistas simpáticos relatam
calmamente breves notícias sobre guerras, assassinatos, crimes e desastres naturais. Essas histórias catastróficas são intercaladas por comerciais que banalizam suas
informações, isolando-as de seu contexto. Em seu livro, Postman registra um noticiário em que um almirante
declarou que uma guerra nuclear mundial seria inevitável.
No próximo segmento da programação, houve um comercial do Rei dos Hamburgers. Não se espera que nossa reação seja racional.
Nas palavras de Postman, os espectadores não reagirão com um senso da realidade, assim como a audiência no teatro não sairá correndo para casa, porque alguém no palco disse que um assassino estava solto na vizinhança..
A televisão não pode exigir uma resposta sensata. As pessoas ligam-na para se divertir, não para serem desafiadas a pensar. Se um programa exige que pensemos ou demanda muito de nossas faculdades intelectuais, ninguém o assiste.
A televisão tem diminuído o alcance de nossa atenção. Por exemplo, alguma pessoa de nossa sociedade ficaria de pé, entre uma sufocante multidão, durante sete horas
para ouvir os debates dos candidatos a presidente da República? Sinceramente, é muito difícil imaginar que nossos antepassados possuíam esse tipo de paciência. Temos permitido a televisão nos fazer pensar que sabemos mais agora, enquanto na verdade estamos perdendo nossa tolerância na área de pensar e aprender.
Sem dúvida, a mensagem mais vigorosa do livro de Postman está em um capítulo sobre religião. Esse homem não-crente escreve com profundo discernimento a respeito do declínio da pregação. Ele contrasta a pregação contemporânea com o ministério de homens como Jonathan Edwards, George Whitefield e outros.
Estes homens contavam com um profundo conteúdo, lógica e conhecimento das Escrituras. Em contraste, a pregação de nossos dias é superficial, com ênfase no estilo e nas emoções. Na definição moderna, a boa pregação tem de ser, antes de tudo, breve e estimulante. Consiste em entretenimento, não em ensino, repreensão, correção ou educação na justiça (2 Tm 3.16).
O modelo da pregação moderna é o evangelista esperto que exagera as emoções, traz consigo um microfone, enquanto anda pomposamente ao redor do púlpito, levando os ouvintes a baterem palmas, movimentarem-se e fazerem aclamações em voz bem alta, ao tempo em que ele os incita a um frenesi. Não existe alimento espiritual na mensagem, mas quem se importa, visto que a resposta é entusiástica?
É lógico que a pregação em muitas das igrejas conservadoras não se realiza de maneira tão exagerada assim. Mas, infelizmente, até A pregação de nossos dias é superficial, com ênfase no estilo e nas emoções.
Algumas das melhores pregações de nossos dias contêm mais entretenimento do que ensino. Muitas igrejas têm um sermão característico de meia hora, repleto de histórias engraçadas e pouco ensino.
Na verdade, muitos pregadores consideram o ensino de doutrinas como algo indesejável e sem utilidade prática. Uma grande revista evangélica recentemente publicou um artigo escrito por um famoso pregador carismático. Ele utilizou uma página inteira para falar sobre a futilidade tanto de pregar quanto de ouvir sermões que vão além de mero entretenimento.
Qual foi a sua conclusão?
As pessoas não recordam aquilo que você pregou; por isso, a maior parte da pregação é perda de tempo.
Procurarei fazer melhor no próximo ano, ele escreveu, isto significa desperdiçar menos tempo ouvindo sermões demorados e gastando mais tempo preparando sermões curtos. As pessoas, eu descobri, perdoarão uma teologia pobre, se o culto matinal terminar antes do meio-dia.
Isto resume com perfeição a atitude que predomina na igreja moderna.
Existe uma semelhança entre esse tipo de pregação e os comerciais de jeans, perfume e cerveja na televisão. Assim como os comerciais, a pregação moderna tem o objetivo de criar uma disposição íntima, evocar uma resposta emocional e entreter, mas não o de comunicar necessariamente algo da essência das Escrituras. Esse tipo de pregação é uma completa acomodação a uma sociedade educada pela televisão.
Segue o que é agradável, porém revela pouca preocupação com a verdade. Não é o tipo de pregação
ordenada nas Escrituras. Temos de pregar a Palavra (2 Tm 4.2); falar o que convém à sã doutrina. (Tt 2.1); ensinar e recomendar o ensino segundo a piedade. (1 Tm 6.3).
É impossível fazer estas coisas se nosso alvo é entreter as pessoas.
O futuro da pregação expositiva é incerto. O que um pastor sincero tem de fazer para alcançar pessoas que se mostram indispostas e incapazes de ouvir com atenção e
raciocínio exposições da verdade divina? Este é o grande desafio para os líderes da igreja contemporânea.
Não devemos nos render à pressão para sermos superficiais. Temos de encontrar maneiras de fazer conhecida a Palavra de Deus a uma geração que não apenas recusa-se a ouvir, mas também não sabe como ouvir.

Graça e Paz de Cristo a todos..!!!

Felipe Gomes

7 comentários:

Antônio Rodrigues de Oliveira on 20 de setembro de 2013 11:00 disse...

O instinto(emoções), nossa inteligencia primária nos trouce até aqui; quem nos levará adiante será a cognitiva movida pela "razão"(escolhas conscientes). Ou seja, fomos criados para ser-nos racionais e superiores(quer dizer estar em Deus). Entretanto insistimos em permanecer na fase primária do ser(crianças ainda).É preciso deixar de ser ovelhas,conduzidas de fora para dentro. O comando precisa vir de dentro para fora.Da luz que precisa brilhar. Brilhe a vossa luz disse o Mestre.

Priscila Lima on 20 de setembro de 2013 14:52 disse...

oi amiga sou da agendas de blogs e vim conhecer seu cantinho gostei ,venha conhecer o meu também. http://pontocruzdapri.blogspot.com

Eris Gomes on 20 de setembro de 2013 16:56 disse...

Oi Flor.. Grata pela sua visita..!!! Volte sempre viu..!!?

Bjim

Ezequiel Domingues dos Santos on 21 de setembro de 2013 07:31 disse...

Muitas pregações são um reflexo dessa redução da inteligencia e capacidade de pensar humano. Essa manipulação é clara nos dias de hoje; um exemplo disso é a mentalidade do jornalismo brasileiro que claramente se diz um agente de "transformação social" (estratégia comunista de Antonio Gramsci para destruir culturalmente o Ocidente) e não de divulgação de informações. A televisão está colocando um cabresto nas consciências e está imbecilizando as pessoas.

Paz em Cristo,

Ezequiel Domingues
http://www.ezequiel-domingues.blogspot.com.br/
https://pt-br.facebook.com/ezequiel.dominguesdossantos.7

Cleubson Neri on 21 de setembro de 2013 09:18 disse...

Deve se ter um equilíbrio, estava dando aula de biologia o assunto era vírus fiz um paralelo da infecção do vírus com a apolo 11 e pela primeira vez os meninos lembraram do assunto por que interligaram algo que eles gostaram com a mensagem.

Núbia on 21 de setembro de 2013 21:40 disse...

Hoje raramente se prega o verdadeiro evangelho, muits estão sendo marionete nas mãos de certos pregadores
seguindo teu blog
http://www.jeitosimplesdeser.com.br/

Eris Gomes on 23 de setembro de 2013 11:46 disse...

Infelizmente é isso mesmo Ezequiel... cabe aos que tem consciência disso não se deixar prender a tais coisas..

Graça e Paz..!!

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